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Revista EGPCE em Foco - Edição 31

Ponto de Encontro

Diogo Duarte Barbosa

Contador, especialista em contabilidade pública e autor de cinco obras relevantes — entre elas o consagrado Manual de Controle Patrimonial nas Entidades Públicas e o livro Entendendo a Contabilidade Patrimonial Aplicada ao Setor Público, este em coautoria com renomados autores. Atua como coordenador de cursos de pós-graduação em contabilidade aplicada ao setor público e é diretor técnico da CASP Online.

A primeira edição da coluna Ponto de Encontro traz uma conversa especial com Diogo Duarte, instrutor da trilha de formação lançada pela EGPCE durante o curso presencial “Controle Patrimonial nas Entidades Públicas”.

Reconhecido nacionalmente como referência em controle e gestão patrimonial, o professor compartilha sua trajetória, experiências e reflexões sobre os desafios e os avanços da gestão patrimonial no setor público.

Além disso, o instrutor destaca a importância da trilha para fortalecer as competências dos servidores, promover uma atuação mais qualificada e apoiar a consolidação de práticas modernas e eficientes na administração dos bens públicos

1. Para começarmos, conte um pouco sobre sua trajetória profissional. Como surgiu o interesse pela área de gestão patrimonial?

Sou consultor, escritor, professor e pesquisador na área de contabilidade e gestão patrimonial no setor público, atuando há quase duas décadas junto a órgãos das três esferas de governo. Minha trajetória começou dentro das discussões sobre controle interno, auditoria e contabilidade aplicada ao setor público. Com o tempo, percebi que a área patrimonial era um dos pontos mais sensíveis e, ao mesmo tempo, menos explorados dentro da administração pública brasileira.

A ausência de processos padronizados, a dificuldade de mensurar ativos e a falta de cultura de gestão patrimonial eficiente me levaram a mergulhar fundo no tema. A partir daí, passei a produzir livros, manuais técnicos, cursos e formações especializadas, fundando inclusive um centro de estudos dedicado exclusivamente à gestão e regularização patrimonial.

Hoje, já formei mais de 20 mil profissionais em todo o país e sigo contribuindo com estados, municípios e instituições que buscam elevar a maturidade da sua governança patrimonial.

2. Quais são os principais desafios da gestão patrimonial no setor público cearense?

O Ceará tem avançado na modernização da gestão pública, mas ainda enfrenta desafios importantes na área patrimonial. Entre os principais pontos, destaco:

  • A adoção de um sistema informatizado realmente eficiente para a gestão patrimonial, que integre dados, automatize processos e garanta rastreabilidade completa dos bens.
  • A necessidade de melhorar a performance de automação no controle dos bens imóveis, permitindo mapear, atualizar e monitorar o acervo imobiliário com precisão e confiabilidade.
  • A criação de um protocolo mais ágil e padronizado para execução do Inventário Geral de bens móveis e imóveis, reduzindo retrabalhos e fortalecendo a qualidade das informações.
  • A fragmentação de processos, especialmente entre compras, patrimônio, contabilidade, TI e setores usuários.
  • A carência de capacitação contínua, sobretudo diante das novas normas e exigências técnicas (NBC TSP, MCASP atualizado, Portarias da STN).
  • A cultura institucional que ainda enxerga o patrimônio como atividade burocrática, e não como ferramenta estratégica para tomada de decisão.
3. Como a gestão patrimonial impacta a eficiência e a transparência da administração pública?

A gestão patrimonial é um dos pilares da boa governança. Ela impacta diretamente:

  • O planejamento orçamentário, permitindo estimar reposições, ampliações e renovações com base em dados reais.
  • A eficiência do gasto público, reduzindo desperdícios e evitando aquisições desnecessárias.
  • A transparência, ao permitir que a sociedade saiba onde estão os bens, quanto valem e como são utilizados.
  • A responsabilização e o controle, tornando auditorias mais assertivas e facilitando o acompanhamento dos ciclos de vida dos ativos.
  • A tomada de decisão estratégica, apoiada em informações confiáveis sobre disponibilidade, necessidade e riscos.
4. Na sua experiência, quais são as boas práticas que podem servir de referência para uma gestão patrimonial mais eficiente e transparente?

Entre as boas práticas que já demonstraram resultados concretos (que aplico em inúmeros clientes de consultoria), destacam-se:

  • Inventário permanente, com metodologia clara e equipe capacitada.
  • Mensuração adequada dos bens, adotando critérios formais definidos pelas normas de contabilidade aplicada ao setor público.
  • Ciclos patrimoniais integrados (aquisição → recebimento → registro → inventário → manutenção → baixa).
  • Uso de sistemas informatizados de alta performance, garantindo rastreabilidade desde a compra até o desfazimento dos bens.
  • Política formal de gestão patrimonial, com normas e manuais claros e assertivos, assegurando continuidade administrativa.
  • Capacitação contínua, fortalecendo o conhecimento técnico dos servidores.
  • Auditorias periódicas, voltadas tanto para conformidade quanto para orientação.
5. O que os servidores podem esperar ao participar da trilha de formação na área de gestão patrimonial lançada pela EGPCE, tanto em termos de aprendizado quanto de impacto em suas rotinas de trabalho?

Os participantes podem esperar:

  • Clareza técnica e segurança na execução dos procedimentos patrimoniais.
  • Aprendizado prático, aplicado diretamente à rotina de trabalho.
  • Melhor compreensão normativa, reduzindo dúvidas e inconsistências.
  • Agilidade nos processos internos, com redução de retrabalho.
  • Autonomia e confiança, fortalecendo o protagonismo do servidor.
  • Melhor integração entre áreas, facilitando a comunicação e o fluxo documental.

O impacto final é uma gestão mais eficiente, transparente e alinhada às exigências atuais de governança e de contabilidade.

6. Em sua visão, qual é o papel da formação continuada, como essa trilha, no fortalecimento da gestão pública?

A formação continuada é essencial para o fortalecimento da gestão pública, porque promove atualização técnica, uniformização de práticas e desenvolvimento de uma cultura de excelência.

Trilhas como essa garantem que o servidor esteja preparado para lidar com normativas recentes, sistemas modernos, processos integrados e exigências crescentes de transparência e responsabilidade.

Investir na capacitação é investir na qualidade do Estado. E o Ceará, ao priorizar formações como esta, demonstra visão estratégica e compromisso real com a melhoria contínua do serviço público.